Afinidade

A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. O mais independente.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.


Arthur da Távola

Add comment Novembro 23, 2009

Mediando Conflitos

Hoje acabei um trabalho de mediação de conflitos na Instituição Antroposófica Casa do SOl . Escrevo pois foi uma experiência mágica e de muito esforço pessoal para me apropriar do tema e me desenvolver para lidar com a situação. Mediar conflito é sempre um desafio, mas um conflito coletivo, com mais de 2 pessoas diria que é um desafio mutiplicado pelo menos pela quantidade de pessoas participantes. Foram 2 meses de trabalho voluntário e muito aprendizado que hoje, no final de tudo, posso dizer que foi muito gratificante. O processo se deu por entrevistas individuais, seguido de um trabalho em grupo, em formato de Workshop, que durou 2 dias, 3h30 cada dia, com um intervalo de 1 semana. Nenhum fórmula mgica não, trabalhamos estritamente com o tempo e a disponibilidade que tínhamos, aliados à boa vontade de cada um. Durante a avaliação de encerramento, tive a noção da dimensão do  meu trabalho, o que tinha representado para cada um individualmente e para o grupo. As pessoas estavam todas com cara de “UFA”  e felizes, podendo se olhar com respeito e tolerância umas para as outras. Fiquei bem feliz com tudo mas especialmente com uma fala – “Você conduziu tudo de forma angelical.”

Fechando o post, compartilho algo que especialmente resume as situações de conflito:

“Encontrei hoje em ruas, separadamente, dois amigos meus que se haviam zangado um com o outro. Cada um me contou a narrativa de por que se haviam zangado. Cada um contou as suas razões. Ambos tinham razão. Não era que um via uma coisa e outro outra, ou que um via um lado das coisas e outro um lado diferente. Não: cada um via as coisas exatamente como se haviam passado, cada um as via com um critério idêntico ao do outro, mas cada um via uma coisa diferente, e cada um, portanto, tinha razão.
Fiquei confuso desta dupla existência da verdade.”
(Fernando Pessoa – Livro do Desassossego)

Add comment Novembro 20, 2009

Metanóia…

“… A palavra metanóia quer dizer mudança de mentalidade.

Para os gregos tem um significado especial como ir além, passar além de , ultrapassar, exceder , elevar-se acima de , transcender. Meta, como acima ou além e nóia, vem de nous, mente. Podemos considerar metanóia também como transformação do pensamento, mudança de mentalidade, aspectos fundamentais para que as informações coletadas se transformem em aprendizado e, consequentemente, aplicação prática.

O aprendizado pode levá-lo a dois caminhos, adaptar-se ao mundo em que vive ou provocar transformações neste. Qualquer que seja o caminho tomado há a necessidade de uma mudança de mentalidade, para entendimento e aceitação dos fatos ou contestação e ação para transformação.

Há um famoso ditado que diz que a mente que aprende se expande e nunca mais volta ao tamanho original. …”

(tirado do site www.administradores.com.br)

Add comment Janeiro 27, 2009

O Valor das Perguntas

“Seja paciente com tudo o que não está resolvido em seu coração e tente amar as perguntas como quartos trancados e como livros escritos em lingua estrangeira. Não procure respostas que ainda não podem ser dadas porque não seria capaz de vivê-las. E a questão é viver tudo. Viva as perguntas agora. Talvez assim, gradualmente, sem você perceber, viverá as respostas um dia distante.”

(R. Rilke)

Add comment Dezembro 8, 2008

Fábula Hindu

“Houve um tempo em que os homens eram deuses. Mas eles abusaram tanto de sua divindade que Brahma, o mestre dos deuses, tomou a decisão de lhes retirar o poder; resolveu escondê-los num lugar onde seria absolutamente impossível encontrá-los. Mas o grande problema era encontrar um esconderijo. Brahma convocou então um conselho dos deuses menores para resolver o problema: ‘Enterremos a divindade do homem na terra’, foi a primeira idéia dos deuses. ‘Não, isto não basta, pois o homem vai cavar e encontrá-la’, respondeu Brahma. Então os deuses retrucaram: ‘Então joguemos a divindade no fundo dos oceanos’. Mas Brahma não aceitou a proposta, pois achou que o homem um dia iria explorar as profundezas dos mares e acabaria por recuperá-la. Então, concluíram os deuses menores: ‘Não sabemos onde escondê-la, pois não existe na terra ou no mar lugar onde o homem não possa alcançar um dia’. Então Brahma se pronunciou: ‘Eis o que vamos fazer com a divindade humana: vamos escondê-la na maior profundeza dele mesmo, pois é o único lugar onde ele jamais pensará em procurá-la. Desde este tempo, concluiu a lenda, o homem fez a volta da Terra, explorou, escalou, mergulhou e cavou, em busca de algo que se encontrava, todo este tempo, no interior dele mesmo”.

Add comment Julho 18, 2008

“Miedo de vivir, miedo de decir, miedo de ser. Esta región nuestra forma parte de una América Latina organizada para el divorcio de sus partes, para el odio mutuo y la mutua ignorancia. Pero sólo siendo juntos seremos capaces de descubrir lo que podemos ser, contra una tradición que nos ha amaestrado para el miedo y la resignación y la soledad y que cada día nos enseña a desquerernos, a escupir al espejo, a copiar en lugar de crear. ” …

(Palavras tiradas do discurso de agradecimento de Eduardo Galeano, proferido em sua nomeação de Cidadão Ilustre do Mercosul / Montevidéo -03/07/08 )

Add comment Julho 14, 2008

Sobre a fortuna

” … Tudo o que vem da riqueza não gera frutos, não prporciona satisfação, se o possuidor não possuia si próprio e não toma posse do que lhe pertence. É tolice pensar que a riqueza pode nos fazer algum bem ou mal; ela apenas fornece material para os nossos bens e nossos males, os elementos daquilo que junto a nós poderá se desenvolver em bem ou em mal. Bem mais poderosa que a fortuna é a nossa alma. Para o melhor ou pior, é ela que conduz nossos destinos, é ela a responsável pela nossa felicidade ou miséria.”

(Aprendendo a Viver – Sêneca)

Add comment Julho 6, 2008

A qualidade da vida X sua longevidade

“…Desejas saber a diferença existente entre aquele que despreza a fortuna e que, após ter cumprido todas as exigências da vida, conheceu a sublime felicidade e aquele homem que apenas viu os anos passarem em branco? Um ainda vive após ter morrido; o outro, antes de morrer, já havia deixado de viver.

Louvemos e coloquemos entre os mais felizes aqueles que  fizeram um bom emprego do tempo que lhes foi dado. Este conheceu a verdadeira luz. Ele não foi apenas um entre tantos. Conheceu a vida e vigor. Por vezes, gozou de um tempo sereno; por outras, como acontece, o sol foi encoberto por algumas nuvens. Por que indagas qual foi a duração de sua vida? Ele vive. Passou  de uma vez para a posteridade e ficou na lembrança dos homens.

A duração da minha vida não depende de mim. O que depende é que não percorra de forma pouco nobre as fases dessa vida; devo gorverná-la, e não por ela ser levado. …”

(Aprendendo a Viver – Sêneca)

Add comment Julho 6, 2008

Sobre os Saberes

” …devemos imitar as abelhas, e tudo o que acumularmos como nossas diferentes leituras devemos ordenar (melhor se conservam as coisas, se estão em lugares certos) e, após, com todo o nosso esforço e a nossa inteligência, unir em um só saber todos os diversos conhecimentos, de forma a que se consiga perceber a sua origem e se possa demonstrar, igualmente, a sua transformação. Podemos perceber que a natureza faz o mesmo com o nosso corpo sem que o percebamos. Os alimentos que absorvemos… tornam-se sangue e nos dão força. Façamos o mesmo com o alimento do espírito, não permitindo que aquilo que absorvemos mentalmente continue igual, e sim passe a ser outro.Temos que digerí-los para que não alimentem apenas nossa memória, mas também a nossa inteligência. Esforcemo-nos para assimilá-los e fazê-los render a fim de que um se transforme em muitos, como se faz um só número de muitos, a partir da soma de quantidades pequenas desiguais. Que nosso espírito faça o mesmo: que dissimule tudo com o que se nutriu e apresente somente o resultado final.

Observa de qunatas vozes é formado um coro. No entanto, todas elas formam apenas uma, a aguda, a grave e a média. Juntam-se as vezes masculinas e femininas, acompanhadas pela flauta. Todas elas ficam indistintas e ouve-se apenas o conjunto.

Desejo que nosso espírito faça o mesmo. Que seja rico de conhecimentos, de preceitos, de exemplos tomados de épocas diferentes, mas que aspirem a unidade. …”

(Apendendo a Viver – Sêneca)

Add comment Julho 6, 2008

Sobre a Logenvidade

“… Queres viver; mas sabes viver? Temes morrer; por quê? Esta vida não é a morte?… Não sabes que um dos deveres da vida também é morrer? Não renegas nenhum  dever, pois não há número certo de deveres que devas terminar.

Toda vida é breve se comparada com a duração das coisas da natureza… Tal como uma fábula, assim é a vida: não interessa pelo que dura, mas por quão bem foi vivida. Não importa onde irás parar. Onde quiseres, pára; apenas lhe impõe um bom desfecho…”

(Aprendendo da Viver – Sêneca)

Add comment Julho 6, 2008

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